O que sabe o português comum do Brasil, dos brasileiros, da vida que eles fazem, da sua economia, da política, do futuro? Aparentemente, poderíamos saber muito: uma forte comunidade brasileira no nosso país deveria ter oleado a transmissão desse conhecimento e a apetência pelo sol das estâncias turísticas do lado de lá do Atlântico facilitaria a transfusão cultural. Ainda mais se fosse vivo o afecto recíproco que deveria irmanar dois povos com a mesma língua – ou não houvesse um acordo ortográfico já em vigor e televisões aos molhos acessíveis nas televisões por cabo.Não é isso que importa para aqui. A abordagem ao mundo brasileiro pela mão de Alain Rouquié é a de um estudioso dedicado e atento (já com outras obras sobre o mesmo tema), mas também é legível um enorme carinho e esperança, a fazer jus àquilo que muito se propaga: o Brasil está a caminho de ser um dos grandes no mundo, e não apenas no futebol, no carnaval ou nas favelas. Veja-se a outorga da realização dos Jogos Olímpicos de 2016, como sinal dessa confiança internacional.
O autor acrescenta ao título – “O Brasil do Século XXI” – o esclarecimento de que se trata do “nascimento de um novo grande” e não deixa dúvidas de que, na sua leitura da situação, Lula da Silva é um desbravador do caminho que leva à hiperbólica imagem de um mundo de “miséria e esplendor, eldorado e inferno”.
A eleição do actual presidente suscita-lhe, desde logo, a questão de como “um operário torneiro apoiado por um partido de sindicalistas” alcançou o poder, “num país campeão do mundo das desigualdades sociais”. Para chegar à explicação, não hesita em recorrer à História para discorrer sobre o presente e o futuro.
Então, começa por anotar a origem do nome, a madeira de brasa, uma “reserva escarlate” que se acobertou na designação mais conhecida de pau-brasil, disputada pelos europeus nos séculos de descoberta e saque. Passa depois às condições históricas que permitiram a preservação e alargamento do território para oeste, conquistando a Amazónia: a Espanha pós-tratado de Tordesilhas empenhava-se na “organização imperial dos seus vice-reinos americanos”, engodada no ouro, e a “unidade ibérica (1580-1640) favorecia os desígnios lusitanos” de manter a expansão brasileira.
Não esquece, claro, os povos autóctones, os índios interminavelmente dizimados à mão dos colonizadores (e por isso os seus traços fisionómicos são hoje tão difíceis de detectar) nem o pesadelo dos desembarques de escravos que seriam determinantes na face multirracial (e da desigualdade social daí decorrente) da população actual – somada à origem diversificada de sucessivas ondas migratórias de várias origens.
Abreviemos esta viagem pelas origens, para cair na realidade deste século XXI, em que os “resultados positivos da abertura económica e da ‘desestatização’ não devem criar ilusões”. Rouquié sublinha a elevada vulnerabilidade externa da economia brasileira e o facto de periodicamente aparecerem dúvidas quanto à sua sustentabilidade, com os mercados financeiros e o FMI a manifestarem-se preocupados. E faz o ponto da tradicional influência do Estado (e dos militares, claro) em tudo o que mexe no país. Dá, a propósito, o exemplo da Embraer, um dos primeiros exportadores dos dias que correm mas que motivou um confronto com a Força Aérea, que a tinha lançado e se rebelou no processo de transição tecnológica para a aviação civil.
Trata-se de exemplos, para a inevitável conclusão de que “o Brasil do século XXI começa em 1994”, pois mudou mais desde então do que nos trinta anos precedentes, mesmo com o reconhecimento de que “não curou os seus males seculares, a pobreza e a desigualdade”.
“Cidadania e exclusão são os dois termos principais da problemática brasileira”, escreve o autor, mas salvaguarda que o Estado tem os recursos e as competências necessárias à aplicação de políticas eficazes na guerra à exclusão e a todas as suas formas.
Quando isto foi pensado e escrito ainda não se conhecia o desafio que constitui a organização dos olímpicos daqui por pouco mais de seis anos. Nessa altura, o Brasil pós-Lula vai ter de enfrentar todo um conjunto de desafios, que se agudizam com o relevo crescente do país na cena internacional. A violência e a estabilidade social estarão no centro dos olhares, sem dúvida.
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Alain Rouquié
O Brasil do Século XXI – Nascimento de um novo grande
Instituto Piaget, 24,15 €











Os tempos não correm de feição aos gurus da economia e gestão, tão desacreditados como nunca pensaram ser possível – ou não estivéssemos todos a pagar um elevado preço pelas suas teorias neoliberais, que como verdades absolutas foram sendo impostas.

















Com a cimeira de Copenhaga à porta, vale a pena ouvir o que os investigadores têm a dizer sobre o aquecimento global. Muito se tem dito e escrito sobre o tema e só não está informado quem não quer, tal é o volume de informação disponível nos mais variados suportes.



É uma ficção, meio científica meio espírita, se é que há metades nesta área. E se é que há esta área. Daí a dificuldade de encarar cientificamente uma incursão em território tão especulativo, em que o mais concreto são as referências a um capacete e a um arsenal de meios pouco esclarecedores sobre a natureza da inventiva: meios computacionais e programas.
A alguns rios bastaria o tumulto dos mitos que alimentam para que fosse de sobressalto a sua corrente, agitado o percurso, acidentada a história. Atropelam as nossas memórias as piranhas do Amazonas, as múmias do Nilo, as cheias do Mississípi, as valsas do Danúbio, o Rio Amarelo na orgia da cor, e por aí adiante.








Há pouco mais de um século, a mão de um grande industrial lançou no Barreiro, margem Sul do Tejo, em frente de Lisboa, a semente do que viria a ser o maior empório fabril português. Assim nascia um conglomerado de empresas que marcaria a vida económico-financeira do país durante grande parte do século XX, quase sete décadas.


Homem de cultura, o autor propõe-se logo no título desta obra dissertar, em “cinco exercícios disciplinados”, sobre o tema de sua especialidade, na sua contemporaneidade. Não vêm do nada estes propósitos, porque o professor se tem desdobrado em actividades múltiplas, do trabalho de investigação e produção teórica à prática das iniciativas, de que são exemplo a gestão artística que desenvolveu à frente da Culturgest e a coordenação da área da criatividade e criação artística na Fundação Calouste Gulbenkian.
É natural que cada um, ao cabo de muitas leituras, experiências e reflexões acabe por sujeitar o acervo de conhecimentos assim constituído a um trabalho de síntese, de balanço, de busca ou consolidação do sentido da vida, dos valores que a orientam, do que a condicionou ao longo da evolução do Homem – e do patamar a que chegou/chegámos.
Veronica Stallwood prossegue a sua saga policial que tem Oxford como pano de fundo. Depois de “Mistério em Oxford”, “Morte em Oxford”, “Luto em Oxford” e “Fraude em Oxford” chegou recentemente às livrarias portuguesas o quinto romance da autora, “Intriga em Oxford”.
A década de 60 foi uma sangria em Portugal. A maioria das pessoas nem se aperceberia do clima de “claustrofobia democrática” em que se vivia, embora muitos dos que melhor a suportavam e até apoiavam tenham passado sobre as brasas… até hoje. Mas esses são outros voos de outras aves.





O seu nome não é desconhecido, mesmo para quem nunca leu um livro da sua autoria. Afinal, Danielle Steel já vendeu qualquer coisa como 550 milhões de livros em todo o mundo.




